
Fotos: Fátima Brandão
Acolhidas pelo Hospital Inácia Pinto dos Santos, mães de diferentes municípios baianos enfrentam a distância de casa e a angústia da internação dos filhos na UTI neonatal, amparadas por uma assistência humanizada que oferece cuidado, acolhimento e esperança em cada novo dia.
Entre a saudade do colo e a esperança da alta, a ansiedade de receber notícias, a saudade de casa e o desejo de finalmente levar os filhos nos braços para o aconchego do lar, mães acolhidas na Casa da Puérpera, do Hospital Inácia Pinto dos Santos (HIPS), o Hospital da Mulher, em Feira de Santana, compartilham uma experiência marcada por desafios, coragem e esperança. Enquanto seus recém-nascidos permanecem internados no bloco neonatal, essas mulheres encontram na unidade um lugar de apoio, cuidado e acolhimento, onde cada pequena evolução dos bebês renova a confiança em dias melhores.
Vindas de diferentes municípios da Bahia, elas carregam histórias singulares, mas compartilham um mesmo sentimento: a luta pela recuperação dos filhos e a expectativa de que, em breve, poderão deixar o hospital com seus bebês saudáveis nos braços.
A Casa da Puérpera representa muito mais do que um espaço de hospedagem temporária. Para essas mães, é a possibilidade de permanecer perto dos filhos durante um dos períodos mais delicados da maternidade, acompanhando de perto a evolução clínica dos recém-nascidos e recebendo suporte emocional e multiprofissional enquanto aguardam o tão sonhado momento da alta hospitalar.
Histórias diferentes, uma mesma esperança
Aos 28 anos, Hélice Ribeiro Aragão, moradora de Nova Redenção, na Bahia, vive a experiência da maternidade pela primeira vez. Seu filho, Henry Gabriel, nasceu prematuro, com 31 semanas de gestação, e há 13 dias permanece internado na UTI neonatal do Hospital da Mulher.
Diante de uma realidade diferente daquela que imaginava para os primeiros dias com o filho, Hélice procura se adaptar à rotina hospitalar, sustentada pela esperança de acompanhar a recuperação do pequeno e, finalmente, voltar para casa.
“É uma experiência diferente, mas já me adaptei devido às condições do meu filho. Espero que ele tenha uma boa recuperação para a gente ir para casa”, relata.
Em suas palavras, está a expectativa de tantas mães que descobrem, ainda nos primeiros dias de vida dos filhos, que a maternidade também pode ser feita de espera, paciência e força. Para Hélice, cada dia representa uma nova oportunidade de acreditar na recuperação de Henry Gabriel e na chegada do momento em que poderá vivenciar a maternidade longe dos corredores hospitalares.
Uma chegada que mudou os planos
Para Ana de Cássia Santana Rosa, de 35 anos, moradora de Conceição do Jacuípe, a chegada ao Hospital da Mulher aconteceu em meio às contrações e à expectativa pelo nascimento do segundo filho.
Com 40 semanas de gestação, ela chegou à unidade e permaneceu sob cuidados médicos, aguardando a evolução do trabalho de parto. Após a avaliação da equipe e a evolução do quadro, o nascimento aconteceu por meio de uma cesariana.
Foi assim que nasceu Nicole Emanuelle, com 3,72 quilos, trazendo à família a alegria de mais um nascimento e a lembrança de que cada parto tem sua própria história, seu tempo e suas particularidades.
A experiência de Ana retrata a importância do acompanhamento profissional e da assistência obstétrica, especialmente quando o nascimento exige decisões médicas e cuidados individualizados. Em uma maternidade, cada mulher chega com expectativas, receios e necessidades próprias, e o acolhimento faz parte da construção de uma experiência segura e respeitosa.
Perto da filha, mesmo depois da alta
Na zona rural de Santanópolis, Deiselane dos Santos Cerqueira, de 21 anos, vive uma das fases mais intensas de sua vida. Mãe da pequena Helena Sophia, ela permanece há cinco dias na unidade hospitalar e, após receber alta, continua acolhida na Casa da Puérpera para acompanhar a recuperação da filha que permanece internada na unidade de terapia intensiva.
Para Deiselane, a possibilidade de permanecer próxima da recém-nascida faz toda a diferença. Mais do que um local para descansar, a casa representa a segurança de não precisar enfrentar a distância enquanto a filha ainda necessita de cuidados hospitalares.
“Para mim, é fundamental estar aqui, porque posso ver minha filha a todo momento. Aqui sou muito bem alimentada e tenho acompanhamento psicológico enquanto minha filha se recupera. Sinto segurança em estar aqui. Só gratidão”, afirma.
O depoimento traduz a importância de um acolhimento que considera não apenas as necessidades clínicas do recém-nascido, mas também as necessidades emocionais e sociais da mãe. Em meio às incertezas, ter alimentação adequada, acompanhamento psicológico e a possibilidade de estar perto da filha contribui para tornar a espera menos solitária.
Para essas mulheres, o cuidado vai além dos procedimentos médicos. Ele também se manifesta na escuta, na orientação, no apoio e na oportunidade de permanecer ao lado de quem mais importa.
Quarenta e cinco dias de luta, fé e amor
Entre as histórias vividas na Casa da Puérpera, a de Noélia Aragão de Almeida, de 33 anos, moradora de Barrocas, revela a dimensão dos desafios enfrentados por famílias de bebês extremamente prematuros.
Mãe de Alice Vitória Aragão Almeida, nascida com apenas 800 gramas, Noélia está há 45 dias no Hospital da Mulher, acompanhando a filha, que permanece sob os cuidados da UTI neonatal.
O que inicialmente parecia ser uma gestação tranquila mudou depois dos seis meses. Vieram as dificuldades, o medo e a necessidade de enfrentar uma realidade para a qual nenhuma mãe deseja estar preparada: ver a filha nascer tão pequena e precisar de cuidados intensivos desde os primeiros momentos de vida.
“A princípio, minha gestação estava sendo tranquila, e os problemas começaram após os seis meses. Nesse momento foi aterrorizante, mas, ao chegar aqui, recebi todo o suporte. Minha filha nasceu aos seis meses e, devido a todos os cuidados médicos, sobreviveu às dificuldades do parto e permanece na UTI neonatal, enquanto acompanho tudo aqui da Casa da Puérpera. Eu agradeço ao Hospital da Mulher por ter esse suporte, que é a Casa da Puérpera. Para nós, é fundamental”, relata.
A história de Noélia e Alice Vitória é marcada por uma espera que exige resistência diária. Cada notícia sobre a evolução da bebê carrega um significado especial para a mãe, que acompanha de perto uma trajetória de cuidados intensivos, cercada pela esperança de ver a filha crescer e superar as dificuldades dos primeiros dias de vida.
Em situações como essa, a possibilidade de permanecer acolhida torna-se essencial. A distância entre os municípios de origem e Feira de Santana poderia transformar o acompanhamento em um desafio ainda maior. Na Casa da Puérpera, Noélia encontra condições para permanecer próxima da filha e atravessar esse período com mais segurança e apoio.
Uma casa que acolhe enquanto a vida se fortalece
A Casa da Puérpera integra a estrutura de assistência do Hospital Inácia Pinto dos Santos e foi concebida para acolher temporariamente gestantes e puérperas cujos recém-nascidos necessitam de monitoramento diário e acompanhamento hospitalar.
De acordo com a diretora-presidente da Fundação Hospitalar de Feira de Santana, Gilberte Lucas, o espaço oferece suporte especializado e uma estrutura voltada ao acolhimento humanizado das mulheres que precisam permanecer próximas dos filhos durante a internação neonatal.
“Oferecemos aqui, no HIPS, uma assistência especializada, além de orientações por meio do serviço social e seis refeições diárias. A Casa da Puérpera tem uma estrutura própria e adequada para um acolhimento humanizado das nossas puérperas, com quartos mobiliados e refeitório que atende às necessidades das acolhidas. O espaço também conta com sofá e TV, criando um ambiente de interação social, além de uma área externa para banho de sol, com bancos e jardim, onde elas podem sair um pouco da realidade hospitalar, diminuindo o estresse”, destaca a gestora.
A estrutura foi planejada para proporcionar conforto e favorecer a convivência entre as mulheres durante o período de acolhimento. Os ambientes permitem momentos de descanso, interação e contato com uma rotina diferente daquela vivenciada no ambiente hospitalar, contribuindo para o bem-estar das mães.
Segundo Gilberte Lucas, a Casa da Puérpera dispõe de 17 leitos e, atualmente, encontra-se com 100% de ocupação. A unidade atende às diretrizes estabelecidas pela regulamentação nº 1.020/2013 do Ministério da Saúde, no âmbito da Rede Cegonha, conforme informado pela gestão.
O cenário de ocupação total evidencia a importância do serviço para as feirenses e mulheres de outras regiões que precisam permanecer em Feira de Santana enquanto seus filhos recebem cuidados especializados.
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