Mulheres de várias regiões participaram da I Marcha das Mulheres de Alagoinhas na luta por direitos e equidade de gênero

Foto: Ana Maria Simono / SECOM

“É pela vida das mulheres”, “feminismo é transformação”. Estas palavras de ordem soam como grito de socorro diante dos números alarmantes da violência de gênero que as mulheres enfrentam diariamente no Brasil: a cada 11 minutos uma mulher é estuprada – dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Todos os dias existem em média 10 casos de estupros coletivos registrados – segundo registro do Ministério da Saúde, 2016. A cada 7,2 segundos uma mulher é vítima de violência doméstica – conforme levantamento do Instituto Maria da Penha. Em 2013, treze mulheres morreram vítimas de feminicídio – de acordo com o Mapa da violência, 2015. O assassinato de mulheres negras cresceu 54% – dados do Mapa da Violência, 2015.

O que ecoou nas ruas da cidade com a realização da I Marcha das Mulheres de Alagoinhas foi um alerta. A demonstração de que todas elas não aceitaram a violência, a desigualdade e os assédios diários. A caminhada feminina celebrou o Dia Internacional da Mulher na manhã da última quinta-feira (8), organizada pelo Coletivo de Mulheres Diversas em conjunto com o Conselho Municipal de Defesa do Direito das Mulheres (CONDEDIM), a I Marcha das Mulheres levou às ruas pessoas de todas as idades, etnias, crenças e gêneros.

A Prefeitura de Alagoinhas participou da Marcha e caminhou ao lado das mulheres com ouvidos atentos para as suas pautas, a fim de maneira coletiva e participativa dialogar com estes grupos para construção de novas políticas públicas. “Estou orgulhosa de ver o poder que temos. Para nós da Secretaria Municipal de Assistência Social (SEMAS) que lidamos com as pautas femininas é muito importante participar para ouvir e trabalhar por melhorias. Temos uma rede de enfrentamento forte, mas sabemos que podemos melhorar muito ainda”, afirma Ludmilla Fiscina, subsecretária da SEMAS.

Foto: Ana Maria Simono / SECOM

Mulheres de diversos seguimentos levantaram cartazes e cantaram juntas. “Somos tratadas como lixo e hoje estamos aqui lutando por nossos direitos”, diz Stephane Santos da Cooperativa de Reciclagem Exército de Cristo. Do percurso entre a Câmara de Vereadores até o estacionamento da prefeitura vozes misturadas cantavam pela liberdade feminina e pela vida das mulheres. Podíamos ouvir vozes de diversos gêneros, idades e regiões, isto porque a Marcha de Alagoinhas atraiu mulheres de outros municípios, como Catu, Inhambupe, Aramari, Ouriçangas, Rio Real, Araçás e Entre Rios.

“Estamos aqui lutando por melhorias e isso é lindo, já avançamos muito e precisamos avançar ainda mais. A diversidade das pessoas que estão participando hoje aqui mostra que estamos caminhando cada vez mais juntos. É muito bom ver idosas, crianças, jovens e homens participando”, conta Magnólia Oliveira, moradora de Inhambupe.

A força da nova geração de mulheres que não toleram mais a opressão está na fala de Lívine Santos, a estudante de rosto pintado e cartaz nas mãos tem consciência da mobilização organizada e coletiva para construção de uma nova perspectiva. “Para mim é muito gratificante fazer parte da história da luta das mulheres de Alagoinhas, esta é a primeira de muitas marchas, hoje nós estamos fazendo história nessas ruas”, afirma orgulhosa.

Foto: Ana Maria Simono / SECOM

Para a jovem a diversidade é o ponto principal para novos tempos, “essa marcha é feminina, mas é feita para todos, para gays, lésbicas, bi, trans e para os homens que querem uma sociedade melhor. Eu não gosto de lutar só por mim, eu luto por todas e por todos porque não existe só eu no mundo”, conclui.

Diversos setores da prefeitura participaram da mobilização como Secretaria Municipal de Assistência Social (SEMAS), equipe do Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), Coordenação de políticas para as mulheres, Secretaria Municipal de Saúde, Secretaria Municipal de Educação, Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente (SEDEA), Secretaria Municipal e Cultura, Esporte e Turismo e Guarda Civil Municipal (GCM), entre outras secretarias e setores públicos municipais.

Foto: Ana Maria Simono / SECOM

“Eu acompanho mulheres em situação de violência todos os dias e ver essa marcha acontecer em Alagoinhas é um marco histórico e importantíssimo”, comemora Priscila Ribeiro, agente da GCM – Patrulha Maria da Penha, lotada na Casa de Acolhimento à Mulher.

Presidente do CONDEDIM e integrante do Coletivo de Mulheres Diversas, Juci Cardoso apontou o movimento como um convite aos homens para a desconstrução do machismo, do desprendimento do patriarcado, para que ele se reconstrua e seja parceiro na luta de efetivação dos direitos assegurados pela constituição. “Nossa Marcha não tem protagonismo individual, é coletivo. Feito por mulheres diversas em suas linhas ideológicas e partidárias, mas que se respeitam muito. Aqui caminharam mulheres quilombolas, urbanas, rurais, de sindicatos, de varias entidades”, afirmou.

Durante encerramento do ato no estacionamento da prefeitura, o Ouvidor Geral, David Ribeiro recebeu do Coletivo de Mulheres uma carta manifesto para ser entregue ao prefeito Joaquim Neto. Além do recebimento do documento, a administração municipal se compromete em dialogar com as mulheres na perspectiva da construção de políticas públicas que reduzam os índices de violência no município, contribuindo para o mapa nacional de violência contra a mulher. A Prefeitura de Alagoinhas deseja que não haja nenhuma a menos e por isso continuará investindo na rede de enfrentamento à violência, com prevenção, assistência e empoderamento de mulheres, pela vida de cada uma delas.

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