Comércio varejista baiano cai 9,6% em maio

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O comércio varejista apresentou a maior queda dos últimos 12 anos, ao registrar a taxa negativa de 9,6% no mês de maio de 2015, em relação a igual mês do ano passado. Essa taxa revela que o setor sofre intensamente os efeitos da retração na atividade econômica. Ainda na mesma base de comparação, o varejo nacional apresentou queda de 4,5%. Na análise sazonal, o comércio varejista na Bahia variou negativamente em 0,9%. Esses dados foram apurados pela Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada em âmbito nacional, e analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia vinculada à Secretaria do Planejamento.

A intensificação no ritmo de queda do comércio varejista na Bahia, período em que as vendas costumam ser intensificadas em função da comemoração do Dia das Mães, é atribuído à frágil confiança dos empresários e dos consumidores. Outro aspecto a ser ressaltado é a alta da inadimplência, uma vez que esgotaram a sua capacidade de pagamento, bem como a continuidade do aumento da inflação medido pelo IPCA, e ao efeito base, já que em igual mês do ano passado houve crescimento de 8,3% nas vendas. Assim, um cenário adverso, marcado pela combinação de fatores, continua contribuindo para que a confiança recue de forma intensa e disseminada entre os segmentos que compõem o setor. A situação é agravada quando se observa que o mercado de trabalho também já reflete o momento de contração da atividade econômica. De acordo com as informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), sistematizadas pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), referentes ao mês de maio de 2015, a Bahia totalizou um saldo negativo de 7.419 postos de trabalho com carteira assinada.

Em maio de 2015, os dados do comércio varejista do estado da Bahia, quando comparados a maio de 2014, revelam que todos os ramos que compõem o Indicador do Volume de Vendas apresentaram resultados negativos. Listados pelo grau de magnitude das taxas em ordem decrescente, têm-se: Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-23,4%); Móveis e eletrodomésticos (-22,8%); Livros, jornais, revistas e papelaria (-20,0%); Tecidos, vestuário e calçados (-9,6%); Combustíveis e lubrificantes (-8,3%); Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-5,9%); Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-5,4%); e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (0,7%).

Em maio, o segmento de Móveis e eletrodomésticos (-22,8%) foi responsável pela maior influência negativa na formação da taxa do varejo. Esse comportamento reflete não somente a queda na renda disponível, a seletividade do crédito e o aumento das taxas de juros, mas também o fraco desempenho das vendas em comemoração ao Dia das Mães na comparação maio 2015/maio 2014. Esse efeito é reforçado em razão de no mês de maio de 2014 ter ocorrido campanhas promocionais motivados pela realização da Copa do Mundo.

O segundo a contribuir negativamente para o volume de vendas foi a atividade de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, segmento de maior peso para o Indicador de Volume de Vendas do Comércio Varejista. Este desempenho negativo foi influenciado pelo menor poder de compra da população e também pelo fato base, uma vez que em igual mês do ano passado as vendas cresceram 7,5%.

A terceira maior contribuição negativa veio do segmento Combustíveis e lubrificantes (-8,3%), refletindo o comportamento dos preços de combustíveis nos últimos meses. Segundo o IBGE os preços subiram acima da média, com 9,2% de variação em 12 meses conforme dados do IPCA, em comparação a 8,5% do índice geral. Outro aspecto a considerar é que em igual mês do ano passado houve crescimento de 6,7% nas vendas.

O comércio varejista ampliado, que inclui o varejo e mais as atividades de Veículos, motos, partes e peças e de Material de construção, registrou em maio decréscimo de 12,0% nas vendas. Nos últimos 12 meses a retração no volume de negócios foi de 3,3%.

O segmento de Veículos, motos, partes e peças voltou a registrar variação negativa (-19,0%), em relação a igual mês do ano anterior. O desempenho da atividade, em relação ao mesmo mês do ano anterior, continua refletindo o crédito mais seletivo por parte das financeiras, diante do nível de inadimplência, a gradual retirada dos incentivos via redução do IPI e a restrição orçamentária das famílias. Outro aspecto a ressaltar é que a conjuntura desfavorável desestimula o consumidor a comprometer o orçamento por um período mais longo. Em relação ao segmento Material de Construção também se observa queda de 6,9% nas vendas no mês de maio, em relação ao mesmo mês do ano de 2014, sendo reflexo das expectativas negativas sobre o quadro macroeconômico.

ASCOM – SEI

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